Entre 1º e 17 de outubro, a rede estadual registrou 559 atendimentos relacionados à fumaça; em um único dia, foram 92 casos.
A fumaça das queimadas levou 559 pessoas a procurar atendimento na rede estadual de saúde em Manaus entre 1º e 17 de outubro. Os dados são da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP).
O número chama a atenção porque coincide com o avanço dos incêndios no estado. Além disso, somente no sábado (17), os serviços de saúde atenderam 92 pessoas com problemas relacionados à fumaça.
Fumaça causa sintomas e exige cuidados
Entre os sintomas relatados pelos pacientes estão tosse, falta de ar, irritação na garganta, coriza, dor de cabeça e dor no peito. Além desses sinais, os pacientes também relataram febre, cansaço, mal-estar e náusea.
Enquanto isso, a qualidade do ar também preocupa. Segundo a plataforma IQAir, no dia 17, a concentração de partículas finas de poluição chegou a 59,2 vezes o valor de referência da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a média anual desse poluente.
Diante desse cenário, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) recomenda evitar a exposição prolongada à fumaça. Para reduzir os riscos, a pasta orienta a população a diminuir as atividades físicas ao ar livre nos períodos de maior poluição. Também recomenda manter os ambientes fechados e beber água com frequência.
Esses cuidados merecem atenção especial entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares. Por isso, esses grupos devem redobrar a proteção durante os episódios de fumaça.
Focos de calor aumentam mais de 190% no Amazonas
Além dos impactos na saúde, os incêndios também avançam no Amazonas. De acordo com o Painel do Fogo, o estado registrou 1.892 focos de calor entre 1º e 17 de outubro de 2026.
Esse total representa uma alta superior a 190% em relação ao mesmo período de 2025. Portanto, os dados apontam um aumento expressivo dos focos de calor na primeira quinzena de outubro.
Do total registrado, o levantamento identificou 1.641 focos em áreas públicas e 120 em áreas privadas. Outros 133 ocorreram em locais sem identificação da propriedade.
O Painel do Fogo também contabilizou 320 focos em assentamentos federais, 124 em unidades de conservação e 124 em terras indígenas. Já a categoria sem classificação reúne 1.297 registros.
Manaus enfrenta episódios recorrentes de fumaça
Em pouco mais de um mês, Manaus registrou mais de 20 episódios de fumaça provocada por incêndios florestais, conforme o levantamento citado no material original.
Em outubro, a situação se intensificou e afetou a rotina da população. Como consequência, houve suspensão de aulas, cancelamento de atividades ao ar livre e aumento da procura por atendimento médico relacionado à poluição.
A fumaça que encobre a capital vem de incêndios na Região Metropolitana e em municípios do interior do Amazonas. Nesse contexto, a vegetação seca, a baixa umidade e as altas temperaturas favorecem a propagação das chamas. Além disso, a ação humana contribui para o início de muitos incêndios.
Governo Federal reforça combate às queimadas
Diante do avanço dos incêndios, o Governo Federal anunciou, no domingo (18), o reforço das operações de combate às queimadas no Amazonas. O plano prevê ampliar para 16 o número de aeronaves, mobilizar quatro esquadrões de helicópteros, dois navios e mais brigadistas.
Além dessas medidas, o governo anunciou a criação de um Estado-Maior Conjunto para coordenar a atuação das Forças Armadas e dos demais órgãos envolvidos no combate aos incêndios florestais.
A coletiva de anúncio ocorreu na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), após uma reunião entre representantes dos governos federal e estadual.
Na ocasião, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que a nova estrutura começou a atuar no domingo. Segundo ele, a iniciativa busca agilizar as decisões e a mobilização de recursos para combater os incêndios no estado.
