Pré-candidata a deputada federal pelo Avante, médica detalha propostas para saúde, economia e juventude
Fernanda Aryel Rodrigues de Almeida, mais conhecida como Dra. Aryel Almeida, é médica, presidente nacional do Núcleo Jovem do Avante e pré-candidata a deputada federal pela legenda no Amazonas.
Nascida em 9 de agosto de 1994, em Manaus, cresceu no bairro Morro da Liberdade, onde desenvolveu valores de fé, solidariedade e compromisso social que hoje marcam sua atuação pública.
Filha de Rosalina Rodrigues e do ex-prefeito de Manaus, David Almeida, acompanhou desde cedo o impacto de decisões governamentais no cotidiano da população, o que contribuiu para seu interesse pela vida pública.
Além da atuação na medicina, Aryel se dedica à formação de lideranças e ao incentivo à participação de jovens e mulheres na política.
Mãe de Helena e casada com Gabriel, concentra sua atuação em temas como saúde pública, juventude, maternidade e participação feminina. Em entrevista ao Em Tempo, ela aborda propostas, desafios do Amazonas e sua preparação para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
EM TEMPO – Como sua formação em Medicina orienta sua leitura sobre os principais gargalos estruturais da saúde pública no Amazonas?
ARYEL ALMEIDA – A medicina me ensinou a olhar para a saúde de forma completa: prevenção, diagnóstico, acesso e continuidade do cuidado. No Amazonas, os gargalos são ainda mais desafiadores por causa da distância entre os municípios, da dificuldade logística e da desigualdade no acesso. Quando a atenção básica falha, o paciente acaba chegando mais grave à média e à alta complexidade. Por isso eu defendo uma saúde que comece perto das pessoas, com estrutura, equipe e acompanhamento de verdade. O próprio planejamento estadual trabalha com o fortalecimento da atenção primária como eixo central, e Manaus mostrou que, quando há prioridade, é possível ampliar cobertura e reorganizar a porta de entrada do sistema.
ET – Quais medidas específicas você prioriza para ampliar a cobertura da atenção básica no interior do estado?
AA – Eu priorizaria três frentes. A primeira é fortalecer a atenção básica municipal com mais estrutura física, equipamentos e equipes, especialmente nos municípios mais distantes. A segunda é levar para o interior experiências que deram resultado, adaptadas à realidade local, como unidades maiores, mais resolutivas e com carteira ampliada de serviços. E a terceira é integrar melhor município, estado e União para que os recursos cheguem com projeto, prazo e execução.
ET – Como presidente nacional do Núcleo Jovem do Avante, quais resultados você pode apontar em seu trabalho no partido e como isso prepara você para o Congresso?
AA – Eu assumi a presidência nacional do Jovem Avante em 2020, e desde então tenho trabalhado na mobilização, na formação política e no fortalecimento da participação da juventude dentro do partido. Um exemplo concreto foi o encontro estadual da juventude no Amazonas, que reuniu cerca de 500 jovens, mostrando que quando a juventude é chamada com seriedade, ela participa. Além disso, tenho ajudado a ampliar esse diálogo entre juventude, partido e realidade social. Isso me prepara para o Congresso porque política também é escuta, articulação, construção de consenso e responsabilidade com aquilo que se defende.
ET – Qual é o papel do Avante no seu projeto político e quais bandeiras você pretende defender dentro da legenda?
AA – O Avante é o partido onde eu construí minha trajetória política e onde encontrei espaço para defender ideias em que acredito. É dentro dessa legenda que eu quero fortalecer pautas que considero centrais: saúde pública mais humana e eficiente, valorização da mulher, oportunidade para a juventude e desenvolvimento com responsabilidade para o Amazonas. Meu projeto não é ocupar espaço por ocupar. É usar esse espaço para defender temas concretos, que façam diferença na vida das pessoas, especialmente de quem mais precisa ser ouvido.
ET – Sendo filha do ex-prefeito e pré-candidato ao governo, David Almeida, como você pretende demonstrar independência na sua campanha e nas suas decisões políticas?
AA – Eu nunca neguei a minha história, porque tenho orgulho da minha família e da trajetória do meu pai. Mas eu também tenho minha formação, minha vivência, minha maneira de enxergar os problemas e meu compromisso pessoal com a vida pública. A independência, para mim, se demonstra na prática: na forma de pensar, de se posicionar e de assumir responsabilidades. Eu quero ser reconhecida não apenas pela minha origem, mas pela minha preparação, pela minha capacidade de ouvir e pela coerência entre o que eu digo e o que eu defendo.
ET – Quais são, na sua avaliação, os problemas mais emergenciais do Amazonas hoje e como pretende atuar no Congresso para minimizá-los?
AA – Eu vejo pelo menos quatro urgências muito claras: saúde, infraestrutura e logística, geração de emprego e renda, e mais presença do poder público no interior. Na saúde, o desafio é garantir acesso; na infraestrutura, é vencer a distância; na economia, é criar oportunidade de forma sustentável; e no interior, é fazer o Estado chegar de verdade. No Congresso, eu quero atuar para ampliar investimentos federais, fortalecer políticas públicas e defender o Amazonas com mais firmeza em temas que impactam diretamente a vida da nossa população.

ET – Quais setores econômicos você considera estratégicos para ampliar emprego e renda no Amazonas?
AA – Eu vejo o Amazonas com força em quatro eixos principais: a Zona Franca de Manaus, que continua sendo estratégica para a indústria e o emprego; a bioeconomia, que precisa ser tratada como oportunidade real de desenvolvimento sustentável; o turismo, que tem enorme potencial no nosso estado; e as cadeias produtivas do interior, que precisam de mais apoio para agregar valor ao que já produzem. A Suframa continua aprovando novos investimentos para a Zona Franca, e o estado também vem estruturando uma estratégia formal de bioeconomia, inclusive com novos marcos legais e atração de projetos.
ET – Como pretende atuar em Brasília para atrair mais investimentos federais para o Amazonas?
AA – A primeira coisa é ter prioridade clara e projeto bem estruturado. Recurso federal não chega só com discurso; chega com articulação, acompanhamento e capacidade de transformar demanda em proposta concreta. Eu quero atuar com os ministérios, com a bancada federal, com a Suframa e com os municípios para ampliar a presença do Amazonas nos programas nacionais. Meu papel seria justamente ajudar o Amazonas a disputar esses espaços com mais organização e mais presença política.
ET – Qual é o diferencial de uma candidatura jovem e como você pretende representar essa parcela da população no Congresso?
AA – A juventude traz energia, conexão com o presente e senso de urgência. Mas, para mim, juventude não é enfeite; é responsabilidade com o futuro. Eu quero representar os jovens defendendo oportunidades reais: educação, qualificação, empreendedorismo, acesso à tecnologia e participação política. E quero fazer isso sem tratar a juventude como plateia, mas como parte da solução. Minha experiência no Jovem Avante reforçou justamente isso: quando o jovem é ouvido de verdade, ele participa, propõe e ajuda a construir caminhos.
ET – Que mensagem você gostaria de deixar sobre o seu compromisso com os eleitores e pretensa atuação em Brasília a partir de 2027?
AR – Eu quero que as pessoas saibam que o meu compromisso é com a seriedade, com a escuta e com o trabalho. Eu não vejo mandato como status; eu vejo como responsabilidade. Se eu tiver a confiança do povo amazonense, quero ir para Brasília para ser voz de quem muitas vezes não consegue ser ouvido, especialmente nas pautas da saúde, da mulher, da juventude e do desenvolvimento do nosso estado. Quero representar o Amazonas com preparo, presença e compromisso de verdade.



