MANAUS – O uso do painel eletrônico da Câmara Municipal de Manaus (CMM), equipamento que deveria registrar votações de forma transparente e automática, voltou a provocar intensos debates durante a sessão plenária e a extraordinária desta segunda-feira (17).
Mesmo instalado desde 2019, ao custo de R$ 630 mil, o sistema segue sendo utilizado apenas para registrar presença, permanecendo desligado no momento das votações — justamente quando sua função principal deveria ser empregada.
A cobrança pelo uso do painel partiu dos vereadores Zé Ricardo (PT), Rodrigo Guedes (Progressistas) e Coronel Rosses (PL). Eles argumentaram que o Regimento Interno da Casa determina expressamente que as votações sejam realizadas pelo sistema eletrônico.
Apesar da insistência e das referências diretas ao regimento, o presidente da CMM, David Reis (Avante), manteve-se irredutível e ignorou diversos pedidos dos parlamentares.
David Reis afirmou que o painel só seria utilizado “em caso de dúvida sobre o resultado”, mesmo com vereadores apontando que essa interpretação não existe no regimento.
O painel eletrônico foi instalado na gestão do então presidente Joelson Silva, em 2019, com promessa de trazer segurança e evitar possíveis fraudes de presença e voto.
No entanto, quatro anos depois, a votação continua sendo feita de forma manual: vereadores contrários levantam a mão, e favoráveis “permanecem como estão”. A prática foi classificada como ultrapassada e inadequada por parlamentares da oposição e independentes.
Enquanto os vereadores cobravam o uso do painel eletrônico, o auditório da Casa estava lotado de professores e pedagogos, que acompanhavam a discussão e protestavam contra o projeto de reforma da previdência de Manaus — aprovado por 28 votos favoráveis, 10 contrários e três ausências.
As manifestações foram tão intensas que chegaram a interromper falas do próprio presidente David Reis.
Defendendo o uso obrigatório do sistema eletrônico, o vereador Zé Ricardo enfatizou que o Regimento Interno não deixa margem para interpretações alternativas:
“O regimento fala da votação eletrônica. Temos um painel eletrônico para isso. O que está acontecendo é uma exceção. Minha proposta é que essa exceção não aconteça mais.”
Sua fala foi seguida de protestos no plenário, reforçando a insatisfação dos presentes.
O vereador Rodrigo Guedes reforçou que o painel custou caro aos cofres públicos e deve ser usado. Ele criticou duramente a postura do presidente:
“Vossa Excelência não é dono da Câmara e não está acima do Regimento Interno.”
A cobrança elevou ainda mais o clima tenso entre parlamentares e a Mesa Diretora.
Também insatisfeito, o vereador Coronel Rosses (PL) afirmou que a insistência no desuso do painel é motivo suficiente para levar o caso à Justiça.
“Ou a gente segue as regras desta Casa, ou a gente levanta e vai embora.”
A decisão de David Reis de manter as votações manuais reacendeu críticas sobre transparência, cumprimento de normas internas e uso adequado de recursos públicos na Câmara Municipal de Manaus. O tema deve continuar gerando pressão política e possivelmente desdobramentos judiciais



