Brasil (BR)- A sessão do Supremo Tribunal Federal desta segunda-feira foi marcada por intensos debates institucionais e trocas de acusações diretas entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
O colegiado se reuniu para definir a abertura de uma apuração contra Moraes, em um julgamento presidido pelo ministro Edson Fachin que logo no início evidenciou profundas divergências internas na Corte.
O ponto alto da tensão ocorreu quando Moraes questionou o plenário com a frase: “Quem tem medo da Polícia Federal, presidente?”. Mendonça interrompeu o colega e afirmou “Não, é questão de medo”, ao que Moraes rebateu dizendo “Eu não estou perguntando a Vossa Excelência”, obtendo a resposta “Mas eu estou lhe respondendo” do colega. Em seguida, Moraes acusou Mendonça de estar “a serviço de um grupo político que quis dar um golpe nesse país” e afirmou ter testemunhas da exigência de uma delação.
O tom da sessão já havia escalado com a manifestação do ministro Flávio Dino, que defendeu a redistribuição dos autos e criticou a condução dos trabalhos, afirmando que “aqui não é lugar de quem busca aplauso” e que “as pessoas bem intencionadas também erram”.
Dino também pontuou que a estrita observância das normas é a única barreira que distingue um “juiz de um justiceiro” e um “julgamento de uma chacina”, recebendo contraponto de Fachin.
Outros ministros também intervieram no debate, expondo visões divergentes sobre a atuação das forças de segurança. Enquanto Gilmar Mendes criticou o afastamento da direção da Polícia Federal por considerá-lo um “vexame”, Luiz Fux pontuou que a corporação passou a atuar com evidente desvio de finalidade contra o Poder Judiciário.
A tensão atingiu o ápice quando Moraes disparou:
“Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na colaboração premiada? Eu tenho testemunhas que afirmam que o ministro André, em reunião, disse: ‘Peçam isso'”.
Mendonça interrompeu dizendo “Isso é mentira”, e Moraes desafiou: “Então vamos chamar as testemunhas?”, ao que Mendonça retrucou: “Pode chamar quem quiser. Vão mentir”.



