OPINIÃO – A direita comemorou a aprovação do projeto na Câmara e no Senado como se ali estivesse garantida uma correção histórica nas penas aplicadas aos condenados pelos atos do 8 de janeiro. Mas a política, especialmente quando exercida por quem conhece profundamente o poder, raramente termina onde o Congresso imagina.
Lula vetou. E vetou no dia simbólico. Não por acaso. O discurso irônico, embalado pela retórica da “defesa da democracia”, foi a cereja de um roteiro cuidadosamente escrito. Sem gritos, sem ataques diretos, sem confronto aberto. Apenas o exercício cru da autoridade presidencial — aquela que decide no silêncio e impacta no barulho.
Esse episódio expõe uma verdade incômoda: o jogo nunca foi apenas jurídico, sempre foi político. O presidente mostrou que não apenas governa, mas domina os tempos, os símbolos e as narrativas. Mostrou quem manda — e, sobretudo, como manda.
Gostemos ou não de Lula, negar isso é ingenuidade. Quem escreve estas linhas talvez preferisse outro presidente, alinhado a ideais mais próximos da direita. Mas fechar os olhos para a realidade não muda o tabuleiro. Lula fez história mais uma vez, não pelo veto em si, mas pela forma: justiça sem discurso agressivo, poder sem alarde, decisão sem improviso.
E se há uma lição clara nisso tudo, ela não está no Planalto, mas nas urnas. Democracia não se faz apenas em discursos inflamados ou comemorações apressadas no Congresso. Democracia se faz, principalmente, no voto.
Não devemos ter políticos de estimação. Devemos ter representantes que defendam nossos interesses. O veto de Lula é um lembrete duro, porém necessário: o poder que decide o futuro do país ainda está nas mãos do eleitor — e 2026 cobra lucidez, não idolatria.



