MANAUS – A deflagração da Operação Erga Omnes pela Polícia Civil do Amazonas, nesta sexta-feira (20), gerou repercussão no cenário político local após declarações do deputado federal Alberto Neto (PL) nas redes sociais. O parlamentar sugeriu uma possível ligação entre a investigação e a gestão do prefeito David Almeida, o que foi posteriormente contestado pelas autoridades responsáveis pelo inquérito.
A operação apura a atuação de um suposto “núcleo político” ligado à facção criminosa Comando Vermelho, com foco em crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção. No entanto, segundo a própria Polícia Civil, não há políticos com foro privilegiado entre os investigados nesta fase.
Polícia nega envolvimento de autoridades com mandato
Durante coletiva de imprensa, o delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), foi enfático ao afirmar que a investigação não inclui autoridades com prerrogativa de foro.
“Não tem nenhum político com foro privilegiado dentro dessa investigação. Agora nós vamos analisar as provas que foram colhidas e, a partir disso, avaliar a existência de outros crimes”, declarou.
A fala reforça que, até o momento, prefeito, deputados ou outras autoridades eleitas não figuram formalmente como alvos do inquérito. A apuração segue concentrada em pessoas já identificadas, sem prerrogativa de foro nesta etapa.
Declarações geram embate político
Em publicação nas redes sociais, Alberto Neto afirmou que a eleição municipal de 2024 teria ocorrido, “ao que tudo indica”, com apoio da facção investigada, mesmo sem apresentação de provas ou confirmação oficial por parte das autoridades.
As declarações ampliaram o debate político nas redes sociais e foram interpretadas por aliados da gestão municipal como tentativa de associar adversários a investigações criminais sem respaldo institucional.
Prefeitura se manifesta
A Prefeitura de Manaus divulgou nota oficial afirmando que não é alvo da operação e que nem o prefeito David Almeida nem a estrutura administrativa do município integram o objeto da investigação.
No comunicado, a gestão municipal afirmou que a operação não envolve a administração direta e criticou o que classificou como distorção de fatos no debate público.
Investigação segue em andamento
A Operação Erga Omnes investiga a suposta infiltração de organização criminosa em estruturas públicas e movimentações financeiras interestaduais. A Polícia Civil informou que as diligências são baseadas em provas documentais, relatórios financeiros e elementos já reunidos no curso do inquérito.
Enquanto as investigações seguem no âmbito técnico e jurídico, o caso também repercute no ambiente político. Oficialmente, contudo, não há inclusão de autoridades com mandato entre os alvos confirmados até o momento.



