Candidato ao governo afirma que projeto precisa esclarecer ganhos para a população e impactos ambientais e jurídicos.
Manaus (AM) – O candidato ao Governo do Amazonas, Isael Munduruku (REDE/PSOL), questionou os benefícios que o projeto de exploração mineral em Autazes, no interior do Estado, poderá deixar para a população. Durante entrevista à jornalista Any Margareth, no programa Na Mira de Anynha nas Eleições 2026, o candidato afirmou que ainda existem dúvidas sobre os ganhos sociais, os impactos ambientais e os aspectos jurídicos relacionados ao empreendimento.
Isael afirmou que não é contrário à exploração do potencial mineral de Autazes, mas defendeu que qualquer apoio ao projeto esteja condicionado à garantia de benefícios para indígenas, não indígenas e moradores do município.
“Tenho que fazer uma conta para saber quais benefícios os amazonenses terão. O projeto ainda não respondeu a todos os questionamentos”, declarou.
Fertilizantes e dependência externa
Durante a entrevista, Isael reconheceu a importância estratégica do minério de Autazes para o país, principalmente diante da dependência brasileira da importação de fertilizantes. Segundo ele, a produção no Amazonas poderia reduzir significativamente a necessidade de compras no exterior, embora não fosse suficiente para tornar o Brasil totalmente autossuficiente.
Apesar disso, o candidato afirmou que ainda existem dúvidas sobre o cumprimento das regras e sobre as garantias relacionadas à execução do projeto.
Riscos ambientais
Isael também chamou atenção para os possíveis impactos ambientais da atividade de mineração. Como exemplo, citou o caso da Braskem, em Maceió (AL), onde a exploração de sal-gema provocou problemas no solo e levou ao deslocamento de moradores de áreas afetadas.
Para o candidato, o episódio serve de alerta para a necessidade de avaliar previamente os riscos e estabelecer mecanismos de proteção para a população e o meio ambiente antes da execução de grandes empreendimentos.
Divisão entre indígenas
Outro ponto abordado por Isael Munduruku foi a divisão entre integrantes do povo Mura em relação ao projeto de exploração mineral em Autazes. Segundo ele, as divergências existentes entre membros da comunidade indígena também precisam ser consideradas nas discussões sobre o empreendimento.
O candidato defendeu que o debate sobre a exploração mineral leve em conta não apenas os aspectos econômicos, mas também os impactos sociais, ambientais e culturais para as comunidades diretamente envolvidas.
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