BRASIL – A dois dias do segundo turno das eleições presidenciais, o senador Flávio Bolsonaro (PL) concentra sua estratégia na conquista de eleitores indecisos e no chamado “voto silencioso”, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensifica a mobilização de apoiadores nas ruas e nas redes sociais. O cenário de empate nas pesquisas aumentou a disputa pelos votos de última hora.
A campanha de Flávio aposta na rejeição ao governo Lula e no discurso de mudança para atrair eleitores que evitam manifestar publicamente suas preferências políticas. No último programa eleitoral, previsto para esta sexta-feira (23), o senador reforça a importância do sigilo do voto e convoca seus apoiadores a ampliar a mobilização até o dia da eleição.
Do outro lado, a campanha petista reorganizou sua estratégia após o primeiro turno e ampliou a atuação digital. Entre as iniciativas estão os canais de WhatsApp “Exército de Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede), com mais de 8,5 milhões de participantes, e “Tropa de Lula”, que reúne aproximadamente 2,5 milhões de apoiadores, segundo os números divulgados pela campanha.
A reação também provocou mudanças na agenda de Flávio, que passou a participar com maior frequência de manifestações organizadas pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Os atos, inicialmente conhecidos como “Bloquinho de Nikolas”, passaram a utilizar o nome “Bloquinho 22” e percorrer diferentes estados. Para sábado (24), estão previstas participações do candidato em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.
O equilíbrio eleitoral aparece na pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22), que registrou 50% dos votos válidos para cada candidato. O levantamento também apontou índices próximos de rejeição: 46% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Flávio Bolsonaro, enquanto 45% disseram rejeitar Lula. As variações em relação à pesquisa anterior ocorreram dentro da margem de erro.
Na última semana de campanha, o PT intensificou questionamentos sobre a trajetória política de Flávio, incluindo cobranças relacionadas à abertura de sigilos bancário e telefônico e ao suposto pedido de recursos ao empresário Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Já a campanha do PL acusa adversários de disseminar informações falsas e busca conter possíveis desgastes à imagem do senador.
Nos bastidores, aliados de Flávio também recomendaram uma postura menos agressiva no debate da TV Globo, marcado para esta sexta-feira (23), diante da preocupação com a rejeição entre eleitores indecisos. Com a disputa acirrada, as duas campanhas chegam aos últimos dias tentando ampliar a mobilização e conquistar votos que ainda podem influenciar o resultado de domingo (25).




