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Fiocruz instala estação para monitorar qualidade do ar em Manaus

Redação por Redação
3 de julho de 2026
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Fiocruz instala estação para monitorar qualidade do ar em Manaus

Equipamento fará medições em tempo real para apoiar pesquisas e políticas públicas

A Fiocruz Amazônia passou a contar com uma estação de referência para monitoramento da qualidade do ar em Manaus. O equipamento foi instalado nesta quarta-feira (2) no Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e integra a Plataforma FioAres, iniciativa que busca fortalecer o acompanhamento da poluição atmosférica na Amazônia.

A estação realizará medições contínuas e de alta precisão de material particulado fino (PM2,5), considerado um dos principais poluentes prejudiciais à saúde. Os dados produzidos serão utilizados em pesquisas científicas, vigilância em saúde ambiental e na formulação de políticas públicas.

Rede de monitoramento abrange cinco cidades da Amazônia

A estação instalada em Manaus faz parte de uma rede composta por cinco unidades de referência que serão implantadas em municípios estratégicos da Amazônia: Rio Branco (AC), Porto Velho (RO), Manaus (AM), Santarém (PA) e Belém (PA).

A operacionalização da Plataforma FioAres reúne pesquisadores de diversas unidades da Fiocruz e instituições parceiras. A coordenação nacional é conduzida pela pesquisadora Beatriz Oliveira, da Fiocruz Piauí.

Em Manaus, o monitoramento será coordenado por pesquisadores do ILMD/Fiocruz Amazônia — Fernanda Fonseca, Polari Batista e Paula Morelli — em parceria com Rodrigo Souza, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Equipamento amplia estudos sobre poluição e queimadas

Segundo Fernanda Fonseca, coordenadora do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia da Fiocruz Amazônia, a estação permitirá ampliar o monitoramento ambiental e validar informações obtidas por sensores de baixo custo, imagens de satélite e modelos atmosféricos.

“Além de ampliar a capacidade de monitoramento da qualidade do ar, a estação contribuirá para a validação de sensores de baixo custo, dados de satélite e modelos atmosféricos, ampliando a cobertura do monitoramento ambiental e fortalecendo a geração de informações confiáveis sobre os impactos da poluição atmosférica, especialmente das queimadas, na saúde da população amazônica”, explica Fernanda Fonseca.

A pesquisadora destaca que a nova estrutura fortalece a Amazônia como referência em estudos sobre clima, meio ambiente e saúde.

“Os dados gerados contribuirão para ampliar o conhecimento sobre os padrões de poluição atmosférica na Amazônia e subsidiar ações de vigilância em saúde, prevenção de riscos e proteção da saúde da população.”

Dados serão públicos e atualizados em tempo real

O equipamento possui cerca de 2,15 metros de altura, pesa aproximadamente 39 quilos e realiza medições horárias da concentração de partículas PM2,5, além de registrar temperatura e umidade. As informações são enviadas automaticamente para armazenamento em nuvem e integrarão uma plataforma unificada com acesso público.

Monitoramento ajudará a avaliar impactos das queimadas

Para a vice-diretora de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, Michelle Rocha El Kadri, o monitoramento permitirá avaliar com maior precisão os efeitos das queimadas e da expansão urbana sobre a qualidade do ar.

“Vivemos numa região que enfrenta longos períodos de estiagem com ocorrência de queimadas intensas e um processo desordenado de expansão urbana. A partir de agora poderemos medir, de fato, qual o impacto dessas atividades na qualidade do ar que respiramos”, afirma.

O pesquisador Polari Batista ressalta que a estação também será importante para calibrar sistemas já existentes, como o projeto Selva, desenvolvido pela UEA em parceria com a Prefeitura de Manaus.

“Esses dados em superfície serão utilizados para calibrar modelos regionais e globais, que até então não tinham referências em solo, e monitorar, relacionar e estudar diversas consequências na saúde envolvendo doenças respiratórias, uma vez que estas partículas finas entram livremente no organismo e se alojam nos alvéolos pulmonares. Ou seja, a ‘ameaça invisível’ agora está sendo monitorada”.

*Com informações da assessoria

Leia mais:

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