MANAUS – A morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, após uma reação grave a uma medicação aplicada no Hospital Santa Júlia, em Manaus, levou a família a registrar denúncia por possível erro médico. O menino deu entrada na unidade no último sábado (22) com tosse seca e suspeita de laringite, mas, segundo os familiares, recebeu três doses de adrenalina por via intravenosa, procedimento que afirmam nunca ter sido utilizado anteriormente no tratamento da criança.
O pai, Bruno Mello de Freitas, relatou que o quadro clínico inicial não sugeria gravidade. Conforme ele, a médica responsável prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e a aplicação de adrenalina diretamente na veia, com intervalo de 30 minutos entre as doses. Uma técnica de enfermagem teria comentado com a família que não costumava aplicar adrenalina intravenosa, mas seguiria a prescrição registrada.
Benício apresentou reação imediata após a primeira aplicação. Segundo o relato do pai, o menino empalideceu, queixou-se de dor no peito e perdeu a consciência. Ele foi levado à sala vermelha, onde apresentou queda acentuada na oxigenação e passou a ser acompanhado por outra médica. A equipe solicitou um leito de UTI com urgência.
Já na UTI, o quadro se agravou. Durante o processo de intubação, próximo das 23h, ocorreram as primeiras paradas cardíacas. O pai afirma que presenciou seis episódios enquanto segurava o pé do filho e acompanhava as tentativas de reanimação. A última parada registrada aconteceu às 2h55 da madrugada de domingo (24), quando Benício não resistiu.
A família afirma que a médica responsável reconheceu falhas no atendimento. O caso foi registrado no 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), que deve conduzir a investigação.
Em nota, o Hospital Santa Júlia informou que instaurou uma análise técnica detalhada sobre o atendimento e que está colaborando com as autoridades para esclarecer o ocorrido.



