O debate sobre os desdobramentos da Operação Erga Omnes voltou a provocar embates na Câmara Municipal de Manaus. Durante sessão plenária, o vereador Eduardo Alfaia (Avante) saiu em defesa do prefeito David Almeida e trocou críticas com o vereador Coronel Rosses (PL).
Sem citar nomes diretamente, Alfaia questionou declarações feitas na tribuna que mencionavam suposto envolvimento de um parlamentar com o tráfico de drogas. O vereador classificou as afirmações como “preocupantes” e cobrou a apresentação de provas.
“Vossa Excelência diz que há um vereador nesta Casa envolvido com tráfico de drogas. Eu gostaria de saber como teve acesso a essas informações, considerando que, até onde sei, o processo tramita sob sigilo”, afirmou.
Alfaia sustentou que, até o momento, não há confirmação oficial de envolvimento de membro do Legislativo municipal com o crime mencionado e destacou que acusações dessa natureza precisam ser devidamente comprovadas.
Defesa do prefeito
O parlamentar também rebateu alegações de que o prefeito teria defendido empresário investigado na operação. Segundo ele, o chefe do Executivo apenas declarou conhecer o empresário citado, o que, por si só, não configura irregularidade.
“Não há crime algum em conhecer empresário. O prefeito não fez defesa jurídica de ninguém, apenas afirmou que o conhece”, declarou.
Desafio por comprovação
Outro ponto abordado por Alfaia foi a suposta transferência de R$ 1,5 milhão em recursos públicos para empresa mencionada durante o debate. O vereador desafiou os opositores a comprovarem a existência do repasse.
“Me comprove onde está a transferência de R$ 1,5 milhão dos cofres públicos para essa empresa. Se houver prova, serei o primeiro a votar qualquer requerimento de investigação”, afirmou.
Críticas ao tom do debate
Na parte final do discurso, Alfaia criticou o que classificou como uso inadequado da tribuna para ataques políticos e disse que poderia também explorar vínculos profissionais de pessoas citadas na operação com grupos políticos adversários, mas optou por não fazê-lo.
“Não posso agir de forma leviana ou de má-fé”, concluiu.
O episódio evidencia o clima de tensão entre base e oposição na Câmara, em meio às repercussões políticas da Operação Erga Omnes.



