MANAUS – A sessão desta terça-feira (24) na Assembleia Legislativa do Amazonas foi marcada por um confronto verbal entre o presidente da Casa, Roberto Cidade, e o deputado estadual Daniel Almeida (Avante). O embate teve início durante debate sobre a Operação Erga Omnes e evoluiu para acusações pessoais no plenário.
A discussão começou quando Daniel Almeida solicitou aparte durante a fala de Cidade e saiu em defesa de Anabela Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, David Almeida, presa na última sexta-feira (20) no âmbito da operação policial. O deputado reiterou o posicionamento já manifestado pelo prefeito, que questiona a condução da investigação e sugere motivação política.
Ao responder, Roberto Cidade criticou a fala do parlamentar e afirmou que ele estaria retratando uma realidade diferente da enfrentada pela população. “Vossa excelência está vendo uma cidade que só existe no mundo da família Almeida”, declarou.
Troca de acusações pessoais
A partir desse momento, o debate ganhou tom mais duro. Daniel Almeida acusou o presidente da Casa de utilizar a estrutura do Estado com fins eleitorais e fez referências a questões pessoais envolvendo o deputado.
Roberto Cidade reagiu afirmando que já foi absolvido pela Justiça em processo mencionado durante a discussão. Em meio ao bate-boca, o presidente da Aleam classificou Daniel como “descontrolado”, enquanto o deputado rebateu as declarações.
Diante do acirramento, a deputada Alessandra Campelo, que presidia os trabalhos naquele momento, determinou o corte do microfone para restabelecer a ordem no plenário.
Operação como pano de fundo
A Operação Erga Omnes investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional, com ramificações em diferentes estados.
Segundo o delegado Alessandro Albino, diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), a ação tem como foco principal o combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de drogas envolvendo agentes públicos. A operação contou com apoio de forças de segurança do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí, devido ao caráter interestadual das movimentações financeiras investigadas.
O episódio desta terça-feira evidencia que, além dos desdobramentos jurídicos, a operação também tem provocado reflexos diretos no cenário político estadual, ampliando o embate entre aliados e adversários do prefeito de Manaus dentro do Parlamento.



