Aliados tentam cobrir rombo de US$ 13,4 milhões em filme sobre ex-presidente; produção reduziu custos e cancelou gravações no exterior
Aliados e interlocutores da família Bolsonaro buscam um grupo de empresários para custear, em caráter emergencial, as etapas finais da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulada “Dark Horse”.
Sob a condição de anonimato, um desses investidores relatou ao SBT News que, após Daniel Vorcaro interromper os repasses no fim do ano passado, a produção passou a enfrentar dificuldades para quitar despesas básicas, o que inviabilizaria o lançamento do longa.
A princípio, o banqueiro acordou com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) o pagamento de US$ 24 milhões para a produção do filme. Além disso, Vorcaro teria entrado no projeto sob o compromisso de ser o investidor único, afastando a participação de terceiros.
Crise financeira e venda de cotas a novos investidores
Com a deflagração da Operação Compliance Zero, contudo, o banqueiro enfrentou dificuldades econômicas e começou a atrasar os pagamentos previamente combinados. No total, de acordo com o Intercept, Vorcaro enviou US$ 10,6 milhões por meio da empresa Entrepay.
Foi nesse cenário que interlocutores de Flávio e do deputado federal Mário Frias (PL-SP) foram acionados. O objetivo principal era fazer com que novos investidores comprassem cotas para cobrir a diferença de quase U$ 13,4 milhões do acordo inicial.
Consequentemente, os organizadores comercializaram cinco cotas de valores variados. A proposta garantia a devolução do valor com o acréscimo de 20%, pagos a partir da arrecadação da bilheteria nos cinemas.
Cortes no orçamento e cancelamento de locações
Para acelerar a captação, Mário Frias teria ido a Mato Grosso, inclusive, com o intuito de captar recursos com um empresário ligado ao agronegócio, por exemplo. O deputado federal, que atua como produtor executivo do longa, argumentava que havia feito uma série de cortes e mudanças no planejamento original para viabilizar a conclusão da obra, incluindo o cancelamento de locações.
Ademais, as restrições orçamentárias mudaram os planos de filmagem fora do Brasil. “O Mário Frias disse que tinha ido até a Argentina para tentar fazer as locações lá, mas desistiu da ideia pelo risco de bitributação”, disse o empresário ouvido pela reportagem.
Auditoria aponta divergência de valores no projeto
Por outro lado, os custos reais do projeto apresentam divergências nos papéis. A produtora GoUp, responsável pelo “Dark Horse”, declarou em uma perícia privada que o custo real do filme ficou em US$ 13,39 milhões — US$ 10,6 milhões a menos do que o combinado originalmente entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O documento foi produzido a pedido no âmbito de uma auditoria que investiga o repasse de recursos da Prefeitura de São Paulo à produção. Segundo o laudo, o valor foi dividido entre as etapas realizadas no Brasil (US$ 3,7 milhões) e nos EUA (US$ 9,64 milhões).
Em um outro documento, todavia, a produtora estimava inicialmente que o longa custaria entre US$ 23 milhões e US$ 26 milhões. Esse orçamento prévio, elaborado antes do início das filmagens , incluía custos como o pagamento de US$ 6,29 milhões em impostos, taxas e despesas administrativas que não foram detalhados.
A dona da Go Up, Karina Gama, disse que “o investimento do filme já foi amplamente discutido” e mencionou o laudo pericial mencionado pela reportagem. As assessorias do deputado federal Mário Frias e do senador Flávio Bolsonaro também foram procuradas.
(*) Com informações do SBT News
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