Manaus (AM)- Mesmo após ser preso na “Operação Face Oculta”, o vereador Rosinaldo Bual (Agir) segue recebendo seu salário de R$ 26 mil mensais, custeados pelos cofres públicos de Manaus. A situação tem causado revolta entre a população e coloca em foco questões de desigualdade e impunidade na política.
A prisão do parlamentar, no dia 3 de outubro, foi resultado de uma investigação do Ministério Público do Amazonas (MP-AM). O órgão identificou uma movimentação atípica de R$ 5 milhões em contas pessoais de Bual somente em 2025, valor incompatível com os vencimentos de um vereador. Segundo as investigações, o dinheiro teria origem em um esquema de rachadinha montado no gabinete do político.
De acordo com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), cerca de 50 servidores do gabinete eram obrigados a devolver parte de seus salários ao vereador. Os repasses eram feitos em dinheiro vivo ou por transferência bancária. Durante as buscas, foram apreendidos três cofres – um na casa do parlamentar, outro na residência de sua mãe e um terceiro em seu sítio.
Dentro dos cofres, os agentes encontraram R$ 390 mil em espécie, dois cheques que somavam mais de meio milhão de reais e diversos documentos. O vereador se recusou a fornecer as senhas, e os equipamentos precisaram ser abertos com o apoio do Corpo de Bombeiros.
Trabalhadores e estudantes manifestam descontentamento com a manutenção de privilégios para políticos acusados de crimes, em um momento em que a população enfrenta cortes de benefícios e dificuldades econômicas.
O caso reacende o debate sobre os benefícios garantidos a agentes públicos, que podem continuar recebendo seus vencimentos mesmo durante a prisão preventiva. A legislação atual não impede o pagamento dos salários enquanto não houver uma decisão judicial definitiva ou uma suspensão formal por parte da Câmara Municipal.
Até o momento, a Câmara Municipal de Manaus não se pronunciou sobre a possibilidade de suspender os vencimentos do vereador. A situação permanece sob acompanhamento de órgãos de controle e sob os olhos de uma sociedade que cobra mais transparência e revisão das normas vigentes.



