São Paulo (SP)- O Tatuapé, uma área próspera na zona leste de São Paulo, tornou-se um ponto estratégico para o crime organizado, especialmente para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Nos últimos seis anos, a região registrou ao menos sete execuções ligadas à facção, representando 35% dos 20 assassinatos documentados pela Secretaria da Segurança Pública.
As marcas do PCC são visíveis, com execuções brutais, como a decapitação de um homem exposta em praça pública. Entre as vítimas estão figuras proeminentes, como Anselmo Becheli Santa Fausta, o Cara Preta, e seu motorista, Antônio Corona Neto, o Sem Sangue, ambos mortos em um atentado que teria ligações com o corretor de imóveis Vinícius Gritzbach.
A primeira execução associada ao PCC na área ocorreu em 2018, quando Wagner Ferreira da Silva, conhecido como Cabelo Duro, foi abatido em frente a um hotel de luxo. Sua morte foi uma retaliação ao assassinato de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, considerado um dos principais líderes do PCC.
Cabelo Duro foi atraído para sua morte por seu aliado Cláudio Roberto Ferreira, o Galo Cego, que também acabou morto em um ataque. A traição e o sequestro marcaram um ponto de virada nas disputas internas da facção.
Em dezembro de 2021, Cara Preta e Sem Sangue foram executados em um atentado que gerou investigações sobre Gritzbach, alegadamente envolvido no crime. O corretor estava sob suspeita de ser o mandante do duplo homicídio, motivado por uma disputa por um pen-drive que continha uma fortuna em criptomoedas.
Após o assassinato de Cara Preta, a violência se intensificou, com a cabeça de um pistoleiro, Nóe Alves Shaun, sendo encontrada em praça pública, um claro aviso do PCC. Gritzbach, por sua vez, sobreviveu a um sequestro ao entregar uma quantia significativa em dinheiro, comprando uma pausa temporária em sua condenação.
A dinâmica do crime no Tatuapé é complexa, com policiais destacando que a região é um território tradicionalmente forte para o PCC. A migração de criminosos para áreas mais ricas, como o Tatuapé, é vista como uma estratégia para se aproximar de pessoas influentes e facilitar operações de lavagem de dinheiro.
O Tatuapé, um símbolo de ascensão imobiliária, atraiu criminosos em busca de status e oportunidades. O ambiente permite que eles operem com relativa liberdade, evitando a atenção indesejada que poderiam enfrentar em bairros mais elitizados, onde seus hábitos e estilos de vida seriam mais facilmente notados.



