Rio de Janeiro – A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (2), a 5ª fase da Operação Unha e Carne, resultando na prisão do pastor Marcio Poncio. Ele foi localizado em um flat na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.
A ação cumpre ordens do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que expediu três mandados de prisão e 14 de busca e apreensão, além de determinar o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões. Os outros dois mandados de prisão têm como alvos o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, ambos já se encontravam presos.
Conexão com a “Máfia do Cigarro” e Propinas a Políticos
Marcio Poncio é investigado por supostas ligações com a “Máfia do Cigarro”, esquema que teria Adilsinho como o principal chefe (“capo”). A PF busca aprofundar as investigações sobre lavagem de dinheiro e a ramificação da organização criminosa nos poderes Executivo e Legislativo fluminenses.
Investigações da TV Globo apontam que pelo menos 20 políticos são suspeitos de receber uma “mesada” de Adilsinho. Planilhas apreendidas anteriormente revelaram indícios de pagamentos indevidos e doações eleitorais ilegais; contabilidade vinculada à lavagem de capitais e repasses diretos de valores a agentes políticos do Rio de Janeiro.
Com o avanço das investigações, o ex-deputado Rodrigo Bacellar será transferido do Complexo de Bangu para um presídio federal.
A Unha e Carne está inserida no contexto da ADPF 635 (ADPF das Favelas), determinação do STF para que a PF investigue as conexões de grandes grupos criminosos com agentes públicos no Rio. Esta 5ª fase é um desdobramento da Operação Fumus (junho de 2021), que combatia o monopólio de cigarros no Grande Rio. Adilsinho, alvo na época, só foi capturado em fevereiro deste ano, em Cabo Frio, após monitoramento por drones.
Relembre o histórico das fases anteriores, que ocorreram entre dezembro de 2025 e maio de 2026:
Fase Alvos e Desdobramentos
1ª Fase (Dez/2025) Teve como alvo o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. Ele foi acusado de vazar informações sigilosas da Operação Zargun para beneficiar o ex-deputado TH Joias, apontado como articulador político do Comando Vermelho (CV). Bacellar chegou a ser preso, mas foi solto dias depois por decisão da Alerj.
2ª Fase (Dez/2025) Focada na origem dos vazamentos. A PF prendeu o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto (TRF-2), suspeito de repassar as informações sigilosas a Bacellar.
3ª Fase (Mar/2026) Rodrigo Bacellar foi preso novamente em Teresópolis, após ter seu mandato cassado pelo TSE devido ao escândalo da Ceperj e após denúncia formal da PGR, que apontou uma “cadeia de proteção institucional ao crime organizado”.
4ª Fase (Mai/2026) Prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), suspeito de chefiar fraudes em compras e contratos de obras na Secretaria Estadual de Educação do RJ (Seeduc).

