Por Kaynã Nascimento, em colaboração com Espaço Z e Disney Studios
Manaus (AM)- Há uma beleza dolorosa em testemunhar Bradley Cooper se debruçando sobre o fim. Se em “Nasce uma Estrela” ele mostrou o amor que ascende enquanto um amante se apaga, em “Isso Ainda Está de Pé?” ele apresenta o oposto: o amor que precisa acabar para que as pessoas finalmente possam existir.
A convite dos Studios Disney e da Espaço Z Comunicação, participei da cabine de imprensa e fui surpreendido por uma obra que, à primeira vista, parece uma comédia ácida sobre divórcio, mas se revela um delicado estudo sobre o reencontro.
A trama acompanha Alex (Will Arnett) e Tess (Laura Dern). Ele tenta se redescobrir no stand-up nova-iorquino; ela enfrenta os sacrifícios que fez pela família. A mágica de Cooper está em virar a mesa: a felicidade do casal não acontece apesar da separação, mas por causa dela. O divórcio não é o ponto final trágico, mas o recomeço de uma amizade e de um autoconhecimento que a rotina da amargura havia soterrado.

Os diálogos são cirúrgicos, com humor sutil e cortante que evita o melodrama. Laura Dern, que substituiu Emily Blunt por questões de agenda, entrega uma vulnerabilidade feroz, acerto perfeito do destino.
Visualmente, Cooper caminha ao lado do fotógrafo Matthew Libatique, parceiro de longa data, com a mesma intimidade lírica de seus trabalhos anteriores.
Mas é no desfecho que o filme atinge o divino. A interpretação de “Under Pressure” se entrelaça com a gravação original num crescente emocional. No ápice da canção, imagem e letra se encontram com tamanha precisão que parece que a música foi feita para aquele instante.
A melodia dialoga com a alma dos personagens, costurando passado e futuro em um abraço musical. É de tirar lágrimas. É de curar a alma. “Isso Ainda Está de Pé?” pergunta se a comunicação entre duas pessoas ainda é possível. A resposta de Cooper é que sim, desde que aprendamos a nos ouvir em uma nova frequência.



