Texto por: Kaynã Nascimento
Manaus (AM)- O baile funk não é só um evento, é um manifesto! Um levante sonoro que desconstrói rótulos, embaralha estéticas e coloca o público jovem no centro de uma revolução cultural que já estava fervilhando nas quebradas, mas que agora ganha o palco, o som e a rua. O ‘Baile da Funkeiros Cults’ não é apenas mais uma festa na agenda; é a materialização de um movimento que grita: a cultura periférica é vasta, complexa e, acima de tudo, culta.
No dia 10 de Outubro, a partir das 22h, o Mercado de Origem se transforma no epicentro dessa efervescência. A atração principal é ninguém menos que GP da ZL, um nome que sintetiza a potência do funk local em ascensão meteórica. Mas o line-up é uma prova viva da riqueza e da diversidade da cena:
DJ Gusta, Juanzinho, Lessa, Yasmina, DJ Rogerio, Deshwan, DJ Black e Marshall se revezam em apresentações solo e em formato B2B (back-to-back), uma verdadeira conversa entre DJs, onde o funk, o “rock doido”, o eletrônico e outras batidas se fundem sem pedir licença.
Por que “Cults”? A descolonização do saber!

O termo “cult” sempre foi, historicamente, uma ferramenta de exclusão. Algo “culto” era, por definição, aquilo distante da massa, da periferia, do popular. A Funkeiros Cults pega essa palavra e a ressignifica. Aqui, ser “cult” é conhecer as batidas do GP da ZL antes dele estourar. É entender as referências do rock doido que embala o ritmo frenético das pistas na região norte.
É a cultura de raiz, a crítica social embutida nas letras, a estética da quebrada que vira tendência global e a arte que nasce da necessidade. É dar ao funk, ao rock de aparelhagens e às vertentes musicais periféricas o mesmo status intelectual e artístico reservado a outros gêneros. É sobre quebrar o espelho que reflete apenas uma parcela da cultura e mostrar a pluralidade que sempre existiu.
A efervescência em torno do evento é palpável, especialmente entre a juventude que vê nele mais do que uma noite de diversão. Emanuel Rocha Soares, de 19 anos, compartilha seu entusiasmo:
“Tenho certeza que esse evento será um marco para as cenas do funk e do rock doido no Brasil, reunindo pessoas em uma vibe divertida. Espera-se que o GP da ZL, um funkeiro que tá crescendo a cada dia, quebre recordes em todo o país e expanda seu sucesso internacionalmente”, disse
A fala de Emanuel vai ao cerne da questão: não se trata apenas de um artista, mas de um movimento. A projeção do GP da ZL é a projeção de uma cena inteira, uma vitória coletiva que ecoa nas comunidades e inspira uma nova geração de criadores.
Apoiar a cena é fortalecer a Comunidade
Eventos como o ‘Baile da Funkeiros Cults’ são vitais para o ecossistema cultural independente. Eles funcionam como um motor econômico e social, gerando renda para produtores, DJs, artistas visuais, videomakers e toda uma cadeia de profissionais que movimentam a economia criativa das periferias. É um ciclo virtuoso: o sucesso do evento dá visibilidade aos artistas, que por sua vez inspiram mais jovens, fortalecendo a identidade e o orgulho de sua origem.
É sobre ocupar espaços. O Mercado de Origem, um local histórico, recebendo a energia crua e autêntica da Zona Leste e de outros cantos da cidade, é um ato político. É a periferia dizendo:
“Estamos aqui, nossa arte é relevante e merece ser celebrada nos mesmos palcos”
A noite do dia 10 será mais do que um baile, será uma aula de cultura viva, uma crítica social em forma de batida, um grito de existência e resistência através da arte. O ‘Baile da Funkeiros Cults’ é a prova definitiva de que o futuro da cultura brasileira não está sendo escrito nos centros tradicionais, mas nas pistas de dança, nos becos e nos corações da juventude periférica que, divertidamente, está revolucionando tudo.



