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Conheça a raposa-voadora, morcego associado ao vírus Nipah

Redação por Redação
31 de janeiro de 2026
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Conheça a raposa-voadora, morcego associado ao vírus Nipah

Doença transmitida por morcegos preocupa autoridades pela alta taxa de mortalidade e potencial de gravidade

O registro de novos casos do vírus Nipah na Índia despertou um alerta de saúde global e levou vários países da Ásia a reativarem medidas sanitárias mais rígidas.

O vírus é transmitido principalmente por morcegos do gênero Pteropus. Segundo um artigo publicado na revista científica Veterinary Quarterly, esses animais são os principais reservatórios naturais do patógeno, e o contato direto com morcegos infectados ou com hospedeiros intermediários, como porcos, pode resultar na infecção humana.

Conhecidos como raposas-voadoras por causa do grande porte, os morcegos Pteropus vivem sobretudo em áreas costeiras da África, Ásia e Oceania. São frugívoros, alimentam-se de frutas e vegetais e apresentam hábitos predominantemente noturnos.

Esses morcegos exercem papel ecológico importante, contribuindo para a regeneração das florestas por meio da dispersão de sementes. No entanto, assim como outras espécies de morcegos, também funcionam como reservatórios de agentes infecciosos que ameaçam a saúde humana. Além do vírus Nipah, podem abrigar o vírus da raiva australiano (Lyssavirus) e o vírus Hendra.

Relação entre morcegos e o vírus Nipah

Pesquisas apontam que o surgimento do vírus Nipah está fortemente associado à interação intensa entre o reservatório silvestre — especialmente as raposas-voadoras — e animais criados em sistemas de produção intensiva.

O vírus foi identificado pela primeira vez em 1999, após um surto envolvendo porcos e humanos na Malásia e em Singapura. Cerca de 300 pessoas adoeceram e mais de 100 morreram. Na ocasião, os morcegos transmitiram o vírus aos porcos, e trabalhadores que mantinham contato próximo com os animais infectados também contraíram a doença.

De acordo com o estudo publicado na Veterinary Quarterly, espécies como P. vampyrus, P. hypomelanus, P. lylei e P. giganteus estiveram associadas a surtos do vírus Nipah em países do Sul e Sudeste Asiático, como Bangladesh, Camboja, Timor-Leste, Indonésia, Índia, Papua-Nova Guiné, Vietnã e Tailândia.

Apesar disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a infecção não provoca doença aparente nesses morcegos frugívoros.

O que é o vírus Nipah e por que preocupa

Em entrevista à CNN Brasil, o infectologista Renato Kfouri explicou que o Nipah é um vírus zoonótico identificado há cerca de 30 anos na Malásia.

Segundo o especialista, a identificação do morcego frugívoro como principal transmissor ocorreu a partir da observação de comunidades locais.
“Foi observado inicialmente em uma comunidade que provavelmente consumia água contaminada de um poço, e aí reconheceram o morcego como principal agente transmissor dessa doença”, afirma Kfouri.

Além do contato direto com morcegos, a transmissão também pode ocorrer por meio de alimentos contaminados ou pelo contato com animais infectados, como os porcos.

O maior temor das autoridades sanitárias está na gravidade da infecção. Dados da OMS indicam que a taxa de mortalidade varia entre 40% e 75%.

Os sintomas iniciais incluem febre alta, dor de cabeça, dores musculares, dor de garganta, vômitos e mal-estar geral. Com a progressão da doença, o quadro pode evoluir para pneumonia atípica ou insuficiência respiratória aguda, quando os pulmões deixam de oxigenar adequadamente o organismo.

O risco mais severo do Nipah é a inflamação do cérebro, conhecida como encefalite aguda. Sinais como tontura, sonolência excessiva e confusão mental são considerados alertas críticos. Em casos mais graves, o paciente pode apresentar convulsões e entrar em coma em apenas 24 a 48 horas.

Vírus Nipah pode chegar ao Brasil?

Até o momento, tanto a OMS quanto o Ministério da Saúde do Brasil não apontam risco imediato de disseminação internacional do vírus Nipah.

O Ministério da Saúde informou que acompanha o cenário em conjunto com a OMS e outras instituições, sem identificar ameaça iminente ao país.

No Brasil, há protocolos permanentes de vigilância para agentes patogênicos considerados altamente perigosos, como o Nipah. O monitoramento ocorre em parceria com órgãos como a Fiocruz, o Instituto Evandro Chagas, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a própria OMS.

Segundo o Ministério da Saúde, não existe indicação de risco para a população brasileira, e a situação segue sob observação constante.

Em entrevista à CNN Brasil, Renato Kfouri avaliou que a possibilidade de uma disseminação global semelhante à da COVID-19 é muito baixa. Ele ressaltou que os dois vírus apresentam formas de transmissão completamente distintas.

(*) Com informações da CNN Brasil

Leia mais: Ministério da Saúde diz que vírus Nipah não ameaça o Brasil

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